Quanto é necessário para viver no Brasil?
Recentemente foi anunciada uma previsão de aumento do salário mínimo para 2022, que passaria de R$1.100 reais para R$1.192,40, segundo informações da pasta econômica. No entanto, com o contínuo aumento da inflação, esse reajuste pode realmente ser considerado bom?
Economistas do Mercado Financeiro consultados semanalmente pelo BC (Banco Central), fizeram pela 29ª semana seguida uma previsão de aumento para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Conforme estimativas divulgadas nesta segunda-feira (25), a recente aposta é que o índice oficial de preços feche 2021 em 8,96%, um aumento considerável desde as previsões feitas há quatro semanas, que estimavam 8,45%. Caso as expectativas sejam confirmadas, até o fim de 2021, fecharemos o ano acima do dobro da meta central de inflação estabelecida pelo governo.
Com todos os aumentos causados pela inflação, é correto afirmar que o reajuste no salário, pouco ajudaria as famílias brasileiras, pois não haverá ganho real no poder de compra do salário.
Um cálculo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) sugere que o pagamento ideal para se viver em condições estáveis no Brasil (exercendo todos os direitos básicos: moradia, alimentação, higiene transporte e lazer) seria de, pelo menos, R$5.421,84. No entanto, a média salarial dos trabalhadores brasileiros é de R$2.543.
*Além desse cálculo médio, também devemos levar em conta as diferenças regionais de custo de vida, que podem variar até 14% entre uma cidade e outra.
Estimativas como essas ganham força quando checamos os parâmetros do próprio IBGE, que colocam famílias com rendimento entre quatro e dez salários mínimos na Classe C. Sendo assim, brasileiros que recebem a partir de R$5.000 reais, no máximo devem ser considerados classe média. Contudo, uma pesquisa de 2018 do Nexo, revela que pessoas que recebem esse valor ainda ganham mais do que 95% dos brasileiros.
Fontes: Dieese; G1; Correio Braziliense; R7
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