Indigência: Nas últimas camadas da pobreza
No Brasil, cerca de 52 milhões de pessoas se encontram em situação de pobreza, ao passo que abaixo dessa linha há o correspondente a cerca de 27 milhões (IBGE). Nas últimas camadas dessa situação de subsistência, a extrema pobreza alcançou o seu ápice e já atinge 14,5 milhões de vidas (com base em dados do CadÚnico). Os números quantificam a desgraça de brasileiros que não recebem o suficiente para morar, se alimentar ou educar seus filhos.
Sobrevivendo com cerca de R$151,00 por mês, com ajuda de bicos, esmolas e auxílios, essa parcela que vive em extrema pobreza totaliza menos de 1% dos rendimentos recebidos pelos cidadãos no país (segundo dados de 2019). Por outro lado, os 10% mais ricos ficaram com quase 43% dos rendimentos totais. Essa diferença é ainda mais cruel quando analisamos o ponto de vista racial, onde 75% dos mais desafortunados são pardos e negros.
Sendo o 156º país no ranking de desigualdade, o Brasil se encontra abaixo de países como Botsuana, na África, Colômbia e México. Quando há melhora no mercado de trabalho, não são os indigentes que a sentem. As oportunidades vêm em parcelas muito menores quando se vive nesse estado, o que inevitavelmente se perpetua pelas próximas gerações. E dentro desse ciclo cabem mais miseráveis do que a soma de todos os habitantes de países como Portugal, Bélgica, Cuba ou Grécia.
Dos simples barracos às ruas frias, pessoas em situação de extrema pobreza viram dados negativos nas mais distintas nomenclaturas: indigência, subsistência, subalimentação, marginalidade. A invisibilidade não existe quando os pontos não são positivos. E quais seriam os pontos positivos?
A desigualdade social que cresce de forma desenfreada serve, na maioria das vezes, apenas como pauta política na boca da mídia, enquanto o sofrimento de quem lida com a grande falta de acesso ao mínimo continua sendo apenas isso: sofrimento. Sentido e enraizado. As questões humanitárias não são realmente sentidas pelos poderosos, ou pelos grandes veículos. Tão pouco pelo bom cidadão que nega a esmola, mesmo tendo condições para ajudar.
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