Cobertura: VI Semana de Jornalismo Vladimir Herzorg - UFPB
Sob temática "Jornalismo, Direitos Humanos e Democracia", foi realizada entre os dias 11 e 14 de Novembro na UFPB, a 6ª Semana de Jornalismo Vladimir Herzorg.
Organizado pelo Centro Acadêmico do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal e com apoio da Agência Íris – Empresa Júnior de Comunicação da UFPB, o evento foi inteiramente aberto ao público e contou com a participação de grandes nomes do Jornalismo, tais como: Manuela D’Ávilla (Instituto ESeFosseVocê?/PC do B), Amanda Audi (The Intercept Brasil), Cristiano Reckziegel (Canal Futura). Iago Montalvão (UNE), Deputada Estadual Estela Bezerra (PSB), Márcia Lucena (PSB), Rejane Negreiros (Sistema Opinião) e Patrícia Rocha (Canal Pararelas).
É importante destacar também, a participação dos alunos do curso ao qual a semana foi dedicada. A atuação foi indispensável e contou como uma experiência digna de portfólio para os estudantes, que foram proativos e puderam tanto usufruir das pautas trazidas pelos convidados, como criar conteúdos voltados para o marketing e a assessoria do evento. Discentes de Pedagogia e Psicopedagogia também puderam participar atuando em um espaço de acolhimento infantil feito especialmente para a participação de mães estudantes, a brinquedoteca.
O evento contou com palestras, debates, oficinas, minicursos e mesas redondas. As temáticas abordadas tiveram como objetivo ressaltar os ideais e a ética da profissão do jornalista, principalmente no atual momento onde as Fake News se enraizaram como produto da mídia sensacionalista, dificultando o trabalho dos ativos (e éticos) dentro da profissão, e também a vida da sociedade, que recebe as informações.
Segunda/11 de novembro
No dia 11/11, a programação começou à noite, com a participação de Amanda Audi, Iago Montalvão, Prof.Fabiana Siqueira e Dejane Negreiros em uma mesa redonda que trazia o tema “A mídia como ferramenta de fortalecimento da democracia”.
Terça / 12 de novembro
Na Terça a programação começou a partir das oito e meia da manhã. O debate “Empreendedoras no Jornalismo”, ministrado por Patrícia Rocha e Andreia Barros, mostrou uma outra perspectiva do empreendedorismo, sob o olhar da mulher. Posteriormente, as notícias falsas viraram pauta no debate “Fake News e a (re)construção da imagem política”, discussão levada por Humberto Carvalho, Professor Edônio Alves e a coordenadora do Centro Acadêmico de Jornalismo, Juliana Lima.
Paula Frassinete (professora) e Juscelino Tabajara (ativista pelos direitos dos indígenas), trouxeram para a universidade discussões acerca do colapso no meio ambiente, questão tratada com um descaso descarado. O debate autointitulado “Os reflexos midiáticos dos retrocessos das políticas ambientais”, trouxe consigo questionamentos sobre o que deveria estar sendo feito pelo governo em relação a preservação da nossa fauna e flora. Sem deixar de destacar, claro, a nossa indiscutível parcela de culpa no meio de toda a situação. Encerramos a conversa ponderando sobre a falta de empatia com algo que de certa forma nos pertence e do qual somos definitivamente dependentes, ao contrário dela, que se reinventa.
Fomos levados à uma verdadeira aula de história no debate “Racismo em tempos de crise e da democracia”, pelo Coletivo Gertrudes Maria. O grupo é formado por alunas da UFPB que pautam através de suas experiências com a discriminação racial, todos os problemas enfrentados pela população negra e os motivos pelos quais é preciso dar voz até às situações mais “simples” que trazem consigo um teor discriminatório. Uma conversa de suma importância que nos leva a rever nas entrelinhas os pequenos atos racistas que cometemos sem perceber.
Mais tarde, contamos com o mini-curso de telejornalismo, esse que foi dividido em três aulas durante todo o evento. A primeira foi ministrada por Aldo Shueler, apresentador da TV Tambaú e nela os inscritos foram levados a treinar a oratória em uma dinâmica rápida, absorvendo ao fim os conselhos do Jornalista.
Encerramos o dia com a mesa redonda “Comunicação alternativa como ferramenta de acesso”, regida por Lucinha Figueiredo, Heloisa de Sousa, Manu Nunes e a Professora Sandra Raquew.
Quarta/ 13 de novembro
O dia mais movimentado do evento contou com participações incríveis como Rands Bonifácio, que deu sua contribuição na oficina “Case de sucesso: O que é marketing digital?”. Enquanto isso, Ana, Hevila e Juliana abriram o debate sobre a atuação feminina no jornalismo esportivo, discutindo sobre o preconceito existente na área e formas de lidar com ele.
Trazendo outra questão absurdamente importante para discussão, Lis Lemos e Margarete Almeida iniciaram o debate “Violência contra as mulheres da UFPB e comunicação feminista como resistência”, onde deram ênfase à violência institucional que as mulheres sofrem diariamente. Uma verdadeira aula de como dar voz aos direitos que temos usando a comunicação social como ferramenta principal.
Mais Telejornalismo com Felipe Gesteira e então seguimos para um debate indispensável sobre “Diversidade religiosa como manchete” entonado nas vozes de Mãe Renilda e Antonio Sorage. A primeira citada (praticante do Candomblé), toma como ponto de partida o preconceito que sempre sofreu por seguir a religião e abre discussão sobre a intolerância.
“Mídia, consumo e Pink Money” são os assuntos escolhidos por Espíndola e Michel Batista no debate seguinte. Abordaram de forma didática e precisa sobre como a indústria publicitária usa a comunidade LGBTQ+ para dar engajamento à marcas sem de fato se envolverem com as causas, de forma a apenas se importarem com o retorno monetário que irão ter das minorias.
Ainda no dia treze, tivemos a presença da convidada mais esperada da noite: a jornalista, política e escritora Manuela d’Ávila que veio para o lançamento do seu mais novo livro com temática feminista, o “Por que lutamos?”.
Subsequente ao momento dos autógrafos, Manuela juntou-se à Professora Glória Rabay, Estela Bezerra e Thaís Vital no Cine Aruanda para a Mesa: “Jornalismo e gênero: a revolução é feminista”, onde trataram da discriminação que as mulheres sofrem simplesmente por serem mulheres em qualquer âmbito em que estejam inseridas, com ênfase no Jornalismo.
Quinta / 14 de novembro
O último dia de evento começou com a oficina de Assessoria de imprensa. Na aula foram apresentadas as principais funções de um assessor e os pilares que podem levá-lo a ser um bom profissional, tudo abordado de uma forma descontraída e objetiva pela assessora e Jornalista Thatyana Valéria.
Em sequência a terceira aula do minicurso de Telejornalismo, completando suas três partes, dessa vez comandado por Patrícia Rocha.
O Jornalismo esportivo mais uma vez foi trazido em pauta no debate “Não troco meu Oxente pelo Ok de ninguém”. Nele Iago Sarinho, Pedro Nunes e Amauri Gonçalves, discutem a questão do sotaque, a identidade linguística do nordestino no meio da narrativa esportiva e do Jornalismo como um todo.
Por fim, recebemos Cristiano Reckziegel, o coordenador de conteúdo e jornalismo do Canal Futura. Com sua experiência no ramo televisivo e também na produção pelas mídias sociais, Cristiano, no posto de editor e apresentador do programa “Conexão Futura”, compartilhou com todos os interessados como o jornalismo sobrevive e se reinventa com o passar dos anos na Mesa “Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal - Jornalistas contra a censura!”.
Salvo alguns problemas na organização do evento, (como o caso da superlotação no dia da vinda de Manuela d’Ávila, que quase levou a conversa a ser feita ao ar livre no Hall do CCTA, para que todos - até mesmo as pessoas não inscritas - pudessem assistir), tudo correu bem e sem muitas complicações. A gestão plural do evento fez um trabalho excepcional no treinamento dos alunos inscritos no Staff e juntos, a equipe tornou a recepção de pessoas externas muito agradável.
Como um todo, o evento foi de extrema importância para todos os visitantes e também para as pessoas que o fizeram. O Jornalismo, como uma profissão subestimada e altamente ameaçada (visto que para a circulação da informação mais próxima da verdade, é necessária a existência pura da democracia), precisava do seu espaço, em especial nesse momento da história. É importante destacar também que, mesmo sendo um curso marginalizado e passando por diversos cortes dentro da Universidade Federal, ainda é o que mais aprova no Enade e isso é extremamente louvável.
A Vl Semana de Jornalismo Vladimir Herzorg foi, sem dúvidas, um espaço necessário para aclamar a profissão do Jornalista, que tem sobretudo o dever de informar, mas também foi um momento de discussões importantes sobre assuntos que inegavelmente formam o caráter tanto do profissional da área de Jornalismo, quanto das pessoas no geral.
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